Boletim Foto Cine Clube

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1 IJ I] 1. i11e 1111ella 111lel11a11te

5. PAULO - BRASIL

JANEJRO - 1947

BOLETIM
N.º 9

ALERTA

Jos é V. E . Ya lenti

( J.1 _prê m io de fotog r afias n ac i onai s do V Salão Internacional Fotog r áfica de São P a ul o)

de Arte

Aparelhos fotográficos e cinematográficos. Acessórios - Laboratório especializado para
miniatura ampliações etc.
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:110 Ir NlffROI ir P. ALEGRE PELOTA$ B. HORIZONT·E RECIFE

-1-

Foto- CineClube

Bandeirante

Laboratório

·
e câmara escura

para aprendizagem e aperfeiçoà-

mento.

·

Sala de leitura e Biblioteca es_ pecializada.

·

Excunões e concursos mensais · entre s sócios.
·

Participação nos salões e concursos nacionais e extrangciros.
·

Intercâmbio constante com as sociedades congêneres do país e do exterior.
·

DEPARTAMENTOS: Fotográfico Cinema to gráfico Secção F~minina

·

Cr$ Joia ele admissão ....... 5000 -1ensalidade . . . . . . . . . . . 2000 ~ m1ida de (recebida so_

mente nos meses de ja_

neiro a março de cada

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Os sócios do interior e outros Esta dos e da secção feminina gosarn do desconto de 50 % .

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91 %ta do Wês
Novo ano programa novo u1na vida nova e mais feliz. E' o que sempre se deseja quando o tempo 1narca o nascer de uma nova série de 865 dias. Na vida de uma scciedade essa espectativa não difere muito da de um individuo ou de qualquer outra coleti.cidade.
O FOTO·CINE CLUBE BANDEIRANTE não pode fugir á regra geral. Apesar do seu constante progresso nos autorizar a ter sempre confiança no futuro a Diretoria que acaba de ser eleita espera muito do ano que se inicia. 1947 não marcará por certo 1una etapa nova do nosso grêmio. Porque . tudo quanto poderíamos fazer em matéria de organização para executar um programa de atividades condizentes com a finaliclacle ele um gt>êmio elo feitio do nosso já foi feito.
Resta apenas ma.ntê-lo e desenvolvê-lo .
Desenvolvimento pois é o que se p1omete. Desenrolvimento das atividades internas e externas. Naquelas o estndio tão desejado e agora possível graças ao magnifico aparelhamento que nos foi doado por mn dos mais prestativos e generosos consócios. Ficará faltando então o laboratório. Êste disse-o bem o Presidente Eduardo Sahatore em seu relatório referente ao exercicio que findou depende precipua1nente para o seu funcionamento de novas insta]açõe\ já que as atuais são de ha muito insuficientes e incapazes para êsse fiJ11i. Te11hamos esperança de que em 1947 já se possa vêr resolvido o problema máximo do Clube: uma; séde condigna ampla e confortavel.
No setor de nossas relações externas pouco ha a acrescentar. O ckcuito . sulcameriçano .. de . salões internacionaii em tão bôa hora iniciado com o apoio da Photographic Society of America e elo Foto Club Concordia deverá se ampliar ao Chile e possivelmente á Bolivia completando assim com o Brasil e Argentina 4 paises dos mais importantes ele nosso continente. Já em 1946 iniciámos relações con1 Portugal Cuba França Austrália e Espanha. Outros países principalmente da Europa se juntarffo a êsses. E asshn a arte fotográfica brasileira se tornará dentro c111 pouco conhecida nos mais distantes pontos do globo.
Enfhn 1947 aií está e não nos resta sinão desejar a todos nossos consócios e amigos que êle lhes seja um ano venturoso e prospero.
O FOTO-CINE CLUBE BANDEIRANTE responderá com prazer pelos seus Departamentos qualquer consulta. que lhe fôr dirigida não só quanto a. matéria t·oncernente às sua.Si atividades como tambem sôbre a. prá... tica da fotografia e cinematografia amadorista recebendo sem compro-misso colaboração para e seu BOLETIM.
Correspondência para a séde :social dirigida a. FOTO-CINE- CLU!B~ BANDEIBANT'E - Ru_. S. Bento 357 1o andar S.' PAULO - BRASIL.
A séde social outrossim acolherái sempre prazeirosamente a. visita de todo e qualquer aficionado da arte de Daguérre.

- 2-

V Sa lão lnternaéion al de Arte Fotográfica de São Paulo

'Sua realização marcou mais um êxito para o nosso Clulbe

Os prê mios ofertados pelo D. E. I.

Conforme fôra anunciado rea'lzou-se a 14 de de zembro ú· ·timo na Galeria Prestes Maia a inauguração d.o· V Salão Internacional de Arte Fotográfica de São Ps ulo promovido por êste Clube.
Iniciativa que de ha muito conquistou as simpatins e os aplausos do culto público pau·istano tornan. do - se o mais popular de quantos certam'2s artisticos .se efetuam e1n nossa Capital. vinha sendo anciosamen te esperada a abertura do V S'alão não apenas pelos c:3tudiosos da arte foto-gráfica como por tod'os quantos acompanhando o movimento artístico d·e São Paulo já se habituara.m a ter no nosso Salão mais uma opo:' tunidade de espairecer e cultivar o espirita na apreciação das cou-s-asbe~as que o engenho humano pocte crear.
o Salão dêste ano t~ve uma ce.rimônia inaugural
condigna e â altur'a d? importância e renôme -alcança dos tanto no pa ís como n o estrangeiro pela .realização de maior vult-o do Foto - Cine Clube Bandeirante
As 16 horas em ponto repleta a Galeria Prestes Maia de exmas. familias e elementos dos nosso meios artísticos e culturais chegaram àquele próprio municipal o Exmo. Sr. Interve -ntor Fed-ex'al Embaixador José Carlos de Macedo Soares e o Prefeito Municiµal dr. Abrahão Ribeiro acompanhados de outras pessoas gradas
Com a pa:avra o dr. Honório de Sy'.os Diretor Ge ral d·o Departam~nto Estadual de I nformações profe-
riu um discurso que vai transcrito a parte salientando a importânci -a do Salão e sua repercussão no movimento artistice do Estad ·O·. Em seguida. o Sr. · Interventor

Federa: d-~sfêz a fita simbólica declarando lnauguraclo o V Salão e entregando-o á visitação pública. O chefe ão govêrno pauUsta e demais auto:--idades percorreram demoradamente os amplos salões da Galeria P restes Maia tecendo palavras de -elogio e de inc-entivp á 1111ciativa do nosso Clube bem como ás qua'idades dos traba'hos expost os.
-o(*)o--
Na noite d:e 13 de dezembro vespera da abertura do Salão a comissão nomeada para êsse fim e compost e. dos srs. José Ferreira Keffer e Arnaldo Barbosa pelo Departamento Estadu'I] de Informações e Lourlval Ba stos Cordei:o pelo F. C. Bandeirante procedeu a o Ju ' . gamento das fotografias de autores brasllelros qu e fL guravam no V Salão e á:s quais dever iam ca ber os p rê. mios ofertados por aquêk D epartamento e pelo C'.ube.
D epois de aµurado estudo a comissão conc lu iu por conferir o 1.0 prêmio - Taça Embaixador Ma<:edo Soar es - ao trabalho A}erta d o sr . .Tósé V. E. Yalentl; o 2.0 'prêmio - T aça Edgard B.atistã P erei r a - ao traba lho O Kiosque do sr. J osé 0 iticica Filho e o 3.o prémio - '1Taça Honório d:ê Sylos - a C'enário do sr. Cesar Ander;áos. Conquistaram menções h onrosas tiabalhos dos srs. Gaspar Gasparian Angelo F. Nut! Maria Prugner Ant-Onio da Silva Victor Kazys Vosylius e J osé V E Yalenti
Além dessas a comissão resolveu conferir menções honrosas especais a trabalhos dos membros da comis são de seleção do Salão srs. Benedito J. Duarte Pedro Josué e E1duardo' Salvatore os quais figuraram hors
(;Q-llCOUrs.

-3-

O DepartamentoEstadual de lnformacões

e o V Salão

Entre as entielades que sempre

l

vrestigiaram o nosso Salão de

LÍl'te Fotográfica figura com des-

taque o Departamento Estadual

ele Infor1na:;ões. Todos os anos e.o.

sa repartição hoje de feitio cultu-

ral organiza um estande demons-

trativo do progresso e das ativi-

dades paulistas. E111 1946 além

clesse estande - aliás bem expres-

sivo e interessante

tivemos a

pre:tigiai· o Salão graças á orien- 1 tação elevacla que vêm seguindo o

sezi atiial Diretor o nosso consó-

cio dr. Honório de Sylos a insti-

tuição de_prêmios para os melhores

trabalhos de autores nacionaiS' de

que falamos atraz.

Qwiz ainda o brilhante jor-

nalista e intelectual colaborar

ele uma maneira mais diréta na

nossa iniciativa aquiescendo a

convite que lhe dirigimos para pronunciar o discurso de abertura dêsse certame.

O Dr. Honório de Sylos Diretor Geral do D. E. I. proferindo o discurso ln!\ugural do V Salão.

As palavras que pronunciou e qiie são extremamente auspiciosas para o _fiduro da arte fotográfica em São Paulo pela promessa de apofo cficial à nossa iniciat-iva vão a seguir transcritas na integra;
Abrindo tão expressiva solenidade apraz-me dirigir uma palavra de saudação sincera à enticlDde prestigiosa que com seguro bom gosto e não menor espirito de rncrifióo vem procurando há anos elevar em São Paulo o amadorismo fotográfico a condição maior de arte despertanc~o ao mesmo tempo a atenção popular para as rcaliza~ões que tanto lhe cnrrltecem o justo reno1ue.

Foto Cine-C!ube Bandeirante. É porisso que com viva satisfação o Departamento Estadual de Informações reafirma sua decisão de mediante a ins-

tituição de prêmios concorrer para o maior brilho des :e certame ativando a emulação de méritos entre os que se dedicam ao aperfeiçoamento da arte

do Daguerre.

'

Tem ainda esta exposição o mérito cultural de ]J0ssibilitar um conhecimento mais objetivo de as·

pectos singulares da paisagem e da alma paulista o que interessa por seu contendo taml:em tnristico a paulistas distraídos das belezas de sua terra brasileiros de outros Estados e estrangeiros que 1os visitem.

A presente mostra é bem uma evidência do alto nivel de acabamento técnico e em não poucos casos de cornpreensão dos valores mais su btís da c0mposição fotografiea já exigidos em nossa terra pelos cultores de úma arte que algumas pessoas certamente mal informadas consideram com algum desdem como simples parente polcre da

Possa assim o Foto Cine-Clube Bandeirante prosseguir em sua meritória óbra de sentido artistico e cultural. Obra que merece não só o amparo oficial como a simpatia e a compreensão dos filhos de São Paulo que verdadeiramente s;itcm admirar o que se faz de generoso e util em f;1 vor de sua terra.

prntura. Aqui se acham expostas algumas foto-

grafias que revelam em seus autores um senso agt.do de compreensão do que pode uma chapa

PELOS CLUBES

futografica dizer quando adequadamente posta em função de surpreender o renJ em estad ; de imobilidade. Outros vão além; e chegam a ultrapassar êsse primeiro estagio de expressão ela realidade través das sugestões e das perspectivas de ornbra e luz que combinados com intuição es'tética invadem as fronteiras da . emoção poétiea.
·Do ponto de vista da realização de seus fins propriamente artísticos agrada-me acentuar que a presente exposição constitui sucesso autêntico lw1'lrando 1 ainda uma vez a inteligência dos con~ correntes e o senso de seleçã-0 . dos que dirigem o

Foi eleita a prim~ira diretoria efetiva do FO'IO· CLUBE DO ESPIRITO SANTO recentemente fundado a qual ficou assim constituída: Presiden~: Isauro Rodrigues; Vice-Presidente: Dr. ·Luiz Edmundo Mallsek; Secretário: Dr. José do Pa!trocinio Machado de O'lveira; Tesoureiro: Magid Saade; Dlr 'etor Social: Pedro Fon-
seca; Diretor Tecnico: Ugo Musso e Diretor de Concursos: Francisco Quintas Jr.
Tambem a SOCIEDADE FLUMINENSE DE FOTO_ GRAFIA tem nova diretoria assim composta: Presidente: Dr. Durval Batista Pereira; Vice-Presidente: Alberto Guanabarino Maia Forte; Secretário: Srta. Aida Lebrão; Tesoureiro: Keneth Wadde!; Diretor- Te-
cnico: Dr. Cesar Salamonde e Diretor Social: José Carlos Cardoso.

- 4-
o V. f!alão

Obtendo torno os ante .riores destacado êxito e atraindo aos amplos salões da Galeria Prestes ~litüi enorme afluência ·esteve aberto ao publieo de 14 de dezembro a 12 de janeiro ultimas o V. Salão Internacional de Arte Fotogrúrica de S . Pmtlo.
1'/ão é porém do aspecto social que o tem caractcl'izado nem elo esmero ele sua aprcscntac;ão c1ue fC nota desde o ·catálogo um dos mais bem confceionaclos de quantos apresentados nas cxpo siõcs artísticas que se realizam nesta Capital até ao fundo musical fino e sclecio)1ado dado ao i:l;0 !ão que queremos aludir nestas breves notas.
A nós amantes e estudiosos da arte fotogriifiea mnis do que tudo nos atrái a qualidade dos tratalhos expostos e os ensinamentos que dêlcs podernos auferir. -Não pretendemos todavia aqui :naliza-los particularizando os que por seu têma ou por sua técnica mais nos impressionaram mas a penas externar as obscrvações que nos sugere o rnlão deste ano visto cm conjunto.
E sob êste aspecto não escondemos que ao pc1·conc-lo nossa primeira impressão foi de que em comparação ao do ano passado o V. Salão foi mais fraco.
Entretanto pelo catálogo vemos que a êles estão presentes nomes de reputação internacional-
mente firmada - alguns jr nossos velhos conhe-
l'idos dos salões anteriores outros que a êle conconcm pela primeira vez mas cujo trabalhos não são estranhos aos que pelos livros e revistas especializadas ou c.átalogos de salões acompanham o quanto se faz pelo mundo em arte fotográfica . - o cuja presença por si sós são uma garantia de exito e qualidade.
Dentre êles para só citarmos alguns ao . Hcaso a famosa Eleanor P. Custiss com suas paisagens em flouJJ John R. Hogan com suas marinhas riras em for~a e movimento em contraposição com as calmas e placidas de Frank R. Frapie a sempre delicada Edith M. Royky dos Estados Unidos o emérito bromolista Zappa a versatil Annernarie Heinrich os vigorosos retratistas S_aderrnan e Maiarú o inquiéto Kalviar 1Dugone e outros da Argentina Patél da India Femando Ponte e Souza de Portugal .Angel de Moya de Cuba Herdis Jacobsen da Dinamarca Rayden \Vi1lets da Inglaterra Maurice Van de Wyer
un Bélgica e dentre os nacionais Josué Yalen-
ti Farkas Salvatoro Nuti Vosilyus Oiticica etc.
Isto nos levou a um exame mais atento e detalhado das obras expostas ( aliás um salão de categoria como êste não se analisa numa unica visita) - e então chegamos á conclusão contrá ria.
Indiscutivelmente os argentinos p. ex. estão corn um · conjunto sensivelmente superior ao do ano passado e um dos melhores do Salão; as obras recebidas dos artistas de Portugal e de Cuba constituem tambem cxce.lentes conjuntos onde pontificam trabalhos <!.e grande valor ar-

tistico e apurada térnica; os nortc-a1ne1:icano3 desta YCZ cm menor numero rnas dentro de suas características habituais; os na ciona is por sua Yez em nirnl taml:em superior ao do IV Salão denotando ele ano parn ano maior progresso.
Donde então aquel:1 nossa primeira imprcssao f Corno explicá-la~ A explicação fomos encontrar na homogeneidade cqui2ibrio e unifonnidaL1e das obras apresentadas nêstes Salão.

Com efeito não verific·amos êste ano os altos e baixos a disparidade de valores constatados nos salões anterior-és .

No IV Salão p. ex. tivémos alguns trabalhos

que se destacaram sobremaneira dentre o eon-

j unto. Lembramo-nos ainda com emoção ele

alzuns deles romo And the merry Whistting

'l'unes de Mildred Hatry Parthenope cb

Vincent B. Abbott Janina de Harry Da~-

Old Gold de J. F. Bogin Lead us to light ele A . Patél ~ alguns outros trabalhos excepcio-

nais que impressionam fortemente ao observador

e que por si sós consagram seus autores.

Já êste ano isto não se verifica . Não vemos

110 Salão obras que apresentem acentuada aseen-

dência sobr.e as outras assim como em viTtucle

de uma seleção mais rigorosa

maior núnrcro

de trabHlhos inscritos e menor de admitidos -

não temos outros que destoem elo conjmito. Ha

evidentemente alguns mais fracos e outros que

por esta ou aquela razão se salientam mais; mas

não de forma tão nítida como os acima citados do

salão anterior.

O conjunto de obras que compõe o V4 Salão

apre~enta-se bastante equilibrado e de qualida-

de sem duvida superior revelando o alto nível a

que já atingiu a arte fotográfica.

Mas esta mesma homogeneidade e equilíbrio

das obras expostas nos revela uma outra faceta

elo trabalho executado pelos 1·espe~tivos artis-

tn.s: a uniformidade.

Todo trabalho artistico deve ter nm cunho ca-

racterístico proprio capaz de identificar e in-

dividualizar a personalidade e o temperamento

artístico de seu autor. E tanto nos trabalhos 1ia

cionais como nos estrangeiros com poucas ex-

ce<;ões não encontrámos êsses traços personalis-

~irnos e próprios de cada individualidade. Os

mesmos têmas repetindo-se de ano para ano

embóra em autores diversos a mesma téeniea

igual e impessoal como se todos os trabalhos

tivessem sido executados por um só. . . Poderia-

mos resumir nossa impressão dizendo que qual-

quer expositor poderia assinar -qualquer daque-

las obras.

·

Ora isto de-monstra haver por parte dos artis-

tas como que um certo comodismo na feitura de

obras de salão. Tendo atingido um nivel j{t

superior que lhes pçnnite fazer com certa faci-

lidade as cha.madas fotografias de salão en-

viam aos varias salões os tral>alhos que sabem

estar mais ao gosto gera.l sem maiores preocupa-

(Contiwúa na pag. 12)

FLAGRANTES

-5
DA INAUGURAÇÃO

Suas Exc i as. o Sr. Interven to r e o Prefeito de· São P au l o percor rem o Sa lão aco m pan h ados pelo nosso
Presidente e conv id ados

O Sr. Inter vento r apõe sua assinatura no livro de pr esenças do Sa lão.

VilSalãborasileairnouadleartefotográfica

·

Foi inaugmado 110 dia 16 de dezern bro p. p . no Rio de Janeiro - Salões do Ministerio da Educação - o 7.o Salão Brasileiro de Arte Fo tográfiea (22.º Salão) promovido pelo tradicio nal Foto Cliibe Brasileiro.
Os Bandeirantes participaram des sa impor tante mostra com seléta reprcsenta~ão as~im cc>nstituida após a seleção a que foi s ubmetida JJCla respectiva comissão:

·
Fl ag rante to m ado quando aq uelas altas autoridades tro cava m im pressões com o Presi dente do Clube

Claustro'\ Iemanjá . e Leito florido

de Dagoberto R. Almeida; Arquit etura de

Thomaz J . Farkas; Caretas de Framisco B.

l\L Ferreira;

Visão Paulista

Itapnan

Sulcos Outono e Regresso de Gaspar

Gaspariau; }~ronteiras uo Brasil de . Alval'O

J\facedo J r.; Capim dos Pampas Escadaria

do Museu e Areadas em ruínas de Plinio

S . Mendes; Simbolos de Waltlomiro Mo1·etti;

Nu vens do verão Igreja dl'l Con ceição e

Gemeos de Fernando Palmério; Ao pé do

orcovado Preparando o b:uco Quietude

Crepusculo carioca e Retorno de Eduardo

Salvatore; Plumas naturais de José Antonio

Yergarnche; Maromba Si lvestre Descan -

ço e Igreja de aldeia . de José V . E. Yalen-

ti. TOTAL: 28 trabalhos.

O esta nd e do D .E .I . foi bs ta n te a prec ia do pelos Srs. I nterventor Fe dera~ ê P refeito Municipal

PROPOR N OVOS SOOIOS É D E VER D E T ODO B OM SOCIO

·
- 6-

·

piáttca ·

Achille BOLOGN A

V

A IMPRESSÃO

·
:'VIéta final de toda opera~ão fotogr.:ífica é a imagem positiva. Unicame1~te por esta é que o publieo pode julgar da _ca1jacidade do fotógrafo . De:::nte da imagem positiva ninguem pensa ou ee preocupa em saber de que fó1·ma a obra foi produzida quais as düiculdades de técnica de Jogar ou de tempo que o fotógrafo p1·ecisou superar.

A imagem é considei-ada por si mesma e sobre

eh é que se basêa o julgamento. Muitos são os

· fotógrafos que conseguem obter bons negativos

mas aos contrario são bem poucos os que dele

saberão extrair um ótimo positivo e isto porque

a impressão do -positivo é u1':iadas operações que

exigem o máximo de prática habilidade e bom

gôsto.

·

Por impressão do JJositivo queremos aqui nos referir apenas {i execução das ampliações eis que hoje em dia os pequenos formatos é que merneem a preferência do pub.lico . As cópias dirétas no gênero não poderão sei-vir senão para o ti-abalho preliminar de seleção ou de corte.

Os aprefeiçoamentos introduzidos nos aparelhos amplialores atualmente dão-nos os meios tecnicos para obter copias ampliadas com a mesma facilidade das copias diretas.
Não se deve porém pensar que apenas o fato Je ampliai constitua por si mesmo ( como muitos e1rnnearnente acreditam) o meio para transforuar uma fotog1·afia comum em uma obra de a1-te. Bem diferente são os fatores que para tanto deypm ser tomados em consideração . É certo todavia <1ue uma fotografia pequena que nos deixa indife _ rentes mesmo quando bem composta adquire com n ampliação novo interesse capaz de atrair a atenção do ol:servador.
Como dissemos outros fatores devem intervir 1wra pôr em destaque para transformai· e melho1·ai· um negativo com a cópia ampliada.
Muitos entendem que apenas com os chamados processos interpretativos será possível fazer va ler o próprio temperamento artístico; nós ao e11Yêzjulgamos que tambem nas apliações executadas com simples papeis de bromuro ou cloro- . bromuro o gosto e a habilidade pessoais podem ser fatores decisivos.
O fotógrafo que executa a ampliação deverá
os valer -se atravéz de seu proprio temperamento ar-
tístico de todos n1·eios que a técnica e a prrt-
tica põem a sua dispo~ .ição.

DO POSITIVO
O primeiro fator para uma boa ampliação (si bem que muitos não lhe dão toda. a importancia de\-ida) é saber escolher entre tantos tipos de papéis existentes no comércio o que melho t· se adapta ao negativo que se quer ampliar. P!lra cada negativo existe o papel apropriado não apenas para . uma impressão perfeita mas tambem rom relação ao assunto reproduzido.
Durante a· exposição o artistà tem meios de inL~rvir para aumentar ou diminuir as luzes e sombrns mediante adequadas proteções e sobreexposi~ões locais; intercalando entre a ob_jetiva e o r·apel sensível véos ou télas especiais conseguh:'.t suavisar um negativo demasiadamente acentuado. Com outros meios poderá. acentuar ou diminuir a intensidade do céo e das nuvens; com um segundo negativo lhe sei-á possível tambem introduzir nun-ns numa · paisagem com o céo muito límpido.
(No proximo número: O corte .)
INSTANTANEOS
-xA cerimônia de inauguração e vario~ aspectos rlo V Salão Internacional de Arte Fotográfica de São Paulo foram filmados pelo Depa1·tamento Estadual de Informações e pela Campos Filme <lcvendo ser exibidos brevemente nos respectivos jornais cinematograficÓs pelos principàes cinemas do país.
-x-
0 Foto Clube Argentino comemorando o seu X Salão Anual de Arte Fotográfica ofertou · a cada um dos seus expositores uma 1·ica medalha de prata.
-x-
'l'ivemos o prazer de reeeber em nosso V Salão a visita do Dr. José Patrocínio Machado de Oli-veira secretário do Fots-Club e · do Eàpirito Smüo que se demorou em cordial palestm com nosso~ diretores.
-x-
Cerca de 80.000 pessoas visitaram o V Salão ele S. Paulo 1iõ's seus 'priméiros 15 dias de exiJ_.~ão.

-7-

Relatório da Diretoria

relativo ao exercicio social de 1945-1946 apresenta do. á Assembléia

Geral Ordinaria de 11 de janeiro de 1947.

Presados consóc!os:

preenchidos proficientemente respectivamente pelos ors.
Antonio s. Victor Henri E. Laurent T1bor Benedlt

Obedecendo não ap~nas ás disposições estatutárias

Antonio Chlatone Filho e Dona Elza Bened!t.

mas ·tambem a um dever que a conciência nos im põe vimos submeter a apn~ciação e Juizo dos srs.

Durante os anos de 1945 e 1946 -foram realizadas um total de 26 reuniões da diretoria sendo 23 ordinárias

sócios do FOTO-CINE CLUBE BANDEIRANTE o 2 extraordinárias e 1 conjuntamente com o Conselho

relatório das atividades desenvolvidas pela diretoria
s. qual foi confia<la a honrosa Incumbência de dirl_

Deilberatlvo.

glr os destinos do clube durante o bienio 1945-

1946 ora findo

·

II - SECRETARIA

Fazemo-lo não com a pr'etensão de termos comple-

Setor dos mais impo1oantes e de lnfluênc .a decisiva

tado nossa tarefa - muita cousa ha ainda por fa- para o desenvolvimento do clube poud -~ graças a

zer - mas com a conclência de termos dado todos dedicação de Pllnlo Silveira Mendes auxl iado por

os diretores o maximo de nossos esforços em prol do nosso clube e do Ideal que o anima.

Antonio S. Victor manter 1 o seu volumoso expediente
e o fichario social sempre em dia. o grande nümer·o

Que estes esforços graças á colabornção e apoio
qtA a diretoria sempre rec-ebeu dos ·srs. consócios co-

de correspondência recebida e expedida quer do pais quer do estrangeiro dá bem uma ldéia da ar'Clua ta-

roaram-se de relativo êxito prova-o a situação sólida refa que teve a Secretaria e é um lndice seguro da

e o lnconteste prestigio de que já gosa a nossa enti- projeção que -0 clube vem obtendo. Foi tambem orga-

dade e que por evidentes desnecessario se torna re- nizado um completo ficharia dos concorrentes ao nos so

saltar.

Salão Internacional de Arte Fotográfica bem como

SI esta dlreto1la não encontrou grandes problemas dos clubes revistas e publlcações especializadas com

1'

a resolver - eis que procurou desenvolver o praga_
ma já Iniciado no exerclcio anterior - justo é porl'!m consignar qu~ sua tarefa não foi facil e fátos Importantes e de grande repercussão para a vida social ocorreram durante este exercício .

os quais mantemos relações.

Foi o seguinte o movimento da Secretaria durante o

exerci.cio:

EXERCíCIO 1945-1946

exercicio anterior:

1943-1944

Destes sem duvida o principal foi a assemblé 'a ge-

rai extraordinarla d~ 29 de dezembro de 1946 na

qual Importantes deliberações foram tomadas como I - CICULARES ENVIADAS:

sejam : a reforma dos estatutos sociais com a creação

do departamento cinematográfico e consequente alte-

em 1945

12

24

23

l'ação na denominação <lo c1 ub~ para a atual; o au-

em 1946

12

mento de numero de conselheiros · para 15 divididos

~m terços; a reorganização da diretoria com a supres-

são dos cargos de 2.0 secretário 2.0 tesoureiro diretor

técnico -e diretor de concursos e a creação de novos II - CARTAS OFICIO$ E TELEGRAMAS RECEBIDOS:

postos - os de diretor cinematográfico diretor fo-

tográflco e vogal - atribuindo-se tambem á diretolia a faculdade de nomear diretores auxiliares e finalmente a majoração das contribuições sociais.

a) de sócios e amadores

do pafs: em 1945

.
86

Em g-eral alterações c'omo essas principa 1mente a

em !946 176

última sempre refletem sobre -0 quiidro social cousa

do extr.: em 1945

11

que tambem ocor'reu entre nós porém. em escala menor

em 1946

69 342

184

tio que esperavamos o que ~m provar o quanto ele

se acha integrado e unido em torno das finalidades

b) de Foto-Clubes e entidades

1

do c!ube. Feitas estas considerações preliminares passemos

a discriminar as dive1~sas atividad-es desenvolvidas

do pais: em 1945

21

em 1946

32

pe ·os varias setores em que se subdivide .a sua ad-

1

ministração.

do extr.: em 1945

68

em 1946 102 223

219

1 - DIRETORIA

C) de autoridades e diversos

Com as alterações introduzidas pelos novos esta_

tutos e com a eleição para o Conselho Deliberativo

em 1945

47 103

51

do sr. Gaspar Gasparian QU-:!' ocupava a vice-presi-

em 1946

56

dência foram êsses os novos cargos preenchidos por

de'iberação da assembléla pelos mesmos companheiros

TOTAL GERAL

668

454

que vinham desempenhando os postos extintos a

saber: Vice-Presidente: José V. E. Yalentl; Diretor Fo-

tográfico Francisco B . M. Ferreira e Vogal José An- III - CARTAS OFICIO$ E TELEGRAMAS EXPEDIDOS:

tonlo Vergareche; para Diretor Clnematogr ·áfico foi

a) a sócios e amadores

eleito Jean Jurre Roos sendo · confirmados em seus

do pais: em 1945 320

postos o presidente secretário tesoureiro e dir'etor
social respectivamente Eduardo Salvatore Pllnio s.

em 1946 306

do extr . : em 1945

6

Mendes Ange'.o F. Nuti e Fernando Palmérlo.

em 1946

39 671

303

A Dir-etoria reuniu-se ordinariamente uma vez por

mês e extraordinariamente s-empre .que necessário pa-

ra manter em dia o seu expediente e encaminhar e

b) a Fotos-Clubes e entidades

solucionar os varias prob'emas que surgiam para a
vida e funcionamento do clube. o incremento das ati-

do pais: em 1945

23

vidades soa:ais tornou necessária a nomeação de varias

em Hl46

24

diretores auxiliares tais como: de secreta1'ia de concursos Internos de intercâmbio fotO!Jláfico de laboratório e do departamento feminino postos que foram

do extr.: em 1945 128

em 1946 128 303

210

8

e) a autoridades e diversos

em 1945

66

em 1946

69' 135

59

Total Gera)

1.109

572

NOTA - .No computo supra náo está incluída a re-

messa d·.e boletins circulares etc. r~1ativa ao Salão.

III - QUADRO

SOCIAL

1 Base que é de toda sociedade mereceu sempre especial atenção por palte da diretoria que procurou aumenta- o e atrair para o seu seio os bons amadores dos quais vinha tendo eonhe-cimento ·assim como amigos em geral da arte foftográficã.

Como sempre sóe acontecer· a majoração das con_ tribuições sociais ~·mbora_ necessária em face do encarecimento sempre crescente da vida provo-cou algum movimento no quadro so-cial com inumei- 'as demissões. Não obstante graças ao espirita d-e compreensão manit'estada pela grande maioria dos âssociados esse número foi ffienor do .que esperavamos e
vem sendo compensado com o ingresso de novos sócios de modo que o quadro social poud-~ manter-se equilibrado.
Foi o seguinte o respectivo movimento:

Sócios existentes em 31-12-1'944 . . . . . . . . . . . . . . 242

Sócios admitidos:

em 1945 em 1946

38

41

79

Sócios demissionários:
em 1945 em 1946

13

20

33

Sócios eliminados por morosidade:

em 1945 em 1946

27

23

50

Sócios existentes em 31-1'2-1946:

licenciados ...... ~ ........ .

16

ativos ....... . .........·..

222

238

IV/ - SITUAÇÃO FINANCEIRA - TESOURARIA

Não se descuidou a diretoria da parte financeira do clube provendo suas necessidades futuras e as dificuldades cada vez maior~s dos dias que correm.
Com um regímen. inteligentemente dirigido pelo dedicado tesour~iro Angelo F. Nuti apezar 1 dos varios fatores adversos e do aumento das despesa -s provoca· do pe'o maior incremento de nossas atividades podemos constatar pelos anexos balancetes uma situação financeira r'elativamente sólida e um apreciav.el saldo em caixa - quasi o dobro do exercicio anterior --- porquanto com um saldo inicial de crs .... 1709710 em 31 de ·dezembro de 1944 pudemos encerrar este exercício com e sa'do de Or$ 31.00810 dos quais CrS 28.12770 estão aepositados no Banco Central de São Paulo S. A.
Patrimonio - Procurou ainda a Diretoria aumentar o patrimonio da sociedade o que consegu iu em parte com as doações que obteve entre as quais- d-eve ser resaltada a do material de estudio feita r·ecentemente pelo conselh ~iro Gaspar Gasparian e em parte com a aquisição de moveis ar quivos de aço etc.
Feita a natural depreciação dos moveis e utensilios o patrimonio do clube está atualmente representado pelo · seguinte:

Moveis e utensilios .....·.......... Material de estudio ...... .·........... Moldural!I ...........................

Cr$ 20.00000 CrS 5.00000 . Cr$ 2.50000

Cadernetas e distintivos ·............ Dinheirn em eaixa .................. Deposito no Banco ....................

Cr$ 2.16500 . Cr$ 2.88040 . cr:; 28.12770
Cr$ 60.673 10

V

DEPARTAl\lllNTO FOTOGRAFICO

i Sob a eficiente orientação de Francisco B. M. Fer _.

reira teve grande atividade e para preencher suas fi-

nalidades desdobrou-se em varias sub-divisões cada

qual sob a direção de um diretor auxiliar.

Ressentia-se o clube da falta de um estudio devidamente aparelhado onde os sócios melhor pudessem praticar a art~ fotográfica. Essa lacuna foi preenchida g!aças á doação feita pelo sr. Gaspar Gasparian já referida e com pequenas adaptações n

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